Jovens
"Ouvi aquele de óculos, o Paulo Rangel, e pouco mais..."
por RUI PEDRO ANTUNES
"A pouco mais de 20 dias das eleições europeias, o DN falou com jovens que vão votar pela primeira vez a 7 de Junho. A maioria não sabe indicar os candidatos ao Parlamento Europeu e confia na Internet para se informar quando se aproximar a data do escrutínio.
Sabem identificar a bandeira azul com as estrelas amarelas, mas não o nome dos candidatos portugueses às eleições europeias. A pouco mais de 20 dias do escrutínio europeu, o DN falou com jovens que já decidiram que vão votar pela primeira vez. Só não sabem em quem. A 7 de Junho vão ser chamados às urnas 650 mil novos eleitores, dos quais mais de 300 mil são jovens.
"Sobre as europeias já ouvi falar aquele gajo de óculos, que acho que é o Paulo Rangel, e pouco mais..." A frase é de Eduardo Teles, um dos poucos jovens que conseguiram indicar o nome de um candidato.
Além de um breve discurso de Rangel, o jovem de 18 anos que vota no Cartaxo, quando ouve falar em europeias, só se lembra de "uns cartazes picantes do Bloco de Esquerda e outros do PS que dizem 'Nós, Europeus'".
Tal como Eduardo, Ângela Saraiva, também com 18 anos, não conhece os candidatos e garante: "Ainda vou pesquisar na Internet antes de ir votar." Ângela queixa-se de "pouca informação" e Catarina Simões que "a informação está mal distribuída".
Catarina, que tem 19 anos e vai pela primeira vez às urnas, lamenta: "Só a duas semanas das eleições é que somos bombardeados com tempos de antena, telejornais e rádios. Deviam dar a informação mais distribuída para nós, jovens, compreendermos."
Vital Moreira? "Não conheço." Paulo Rangel? "Talvez já tenha ouvido falar." Miguel Portas? "Conheço é o Paulo…" Estas foram algumas respostas dos jovens quando confrontados com os nomes de alguns cabeças de lista. E, se não conhecem os candidatos, os programas muito menos.
Apesar de não saberem em quem votar, todos os estreantes na lide eleitoral que o DN contactou garantiram que vão votar porque é "um direito e um dever". Eduardo Teles não tem partido político e a sua única ligação partidária resume-se em "ajudar um amigo que é membro da JSD". No entanto, o jovem confessa que tem pensado neste momento e defende que "todos devemos votar, porque se antigamente não tínhamos opinião e agora temos devemos usar esse direito".
Quanto ao facto de se estrearem como votantes nas europeias, Ângela Saraiva considera estas eleições "tão importantes como as autárquicas ou legislativas, porque não podemos esquecer que Portugal é membro da União Europeia". Já Catarina Simões defende que votar nas europeias "é estarmos a defender a posição de Portugal na Comunidade".
Até agora, os 8,2 milhões de euros que os partidos prevêem gastar na campanha parecem não estar a ser eficazes junto dos jovens. Estes queixam-se de falta de informação e deixam pistas de como os partidos podem passar a mensagem à juventude. "A Internet, através de suportes como o YouTube, é um veículo que os políticos deviam apostar para chegar aos jovens", defende Jennifer Calhas, que aos 18 anos vai também votar pela primeira vez. Já Catarina Simões adverte que "não chega colocar vídeos na Internet. É preciso que os partidos sejam criativos, percebam como é a vida dos jovens, para conseguirem chegar até nós".
Ao contrário dos restantes novos votantes contactados pelo DN, Vasco Batista, estudante de Relações Internacionais na Universidade de Coimbra, considera que "até têm existido esforços no sentido de melhorar a divulgação dos candidatos, inclusive na Internet".
Vasco sabe quem é a maioria dos candidatos e afiança que estas eleições assumem "uma grande importância devido ao impasse no Tratado de Lisboa". Já assistiu a uma conferência, está atento às querelas entre Rangel e Vital, mas ainda não decidiu em quem votar. "Só vou tomar uma decisão depois de ver os programas dos partidos. E não vou estar atento só aos grandes como o PS e o PSD, mas também aos novos como o MMS [Movimento Mérito e Sociedade] e o MEP [Movimento Esperança Portugal]", garante o jovem de 18 anos. O estudante confessa que já sente que está "activo politicamente" e acredita que "a abstenção nestas eleições vai servir de barómetro para testar o eurocepticismo dos portugueses". Embora o jovem acredite que com o aproximar das eleições os eleitores vão ficar mais informados, Vasco reconhece: "Os jovens estão desligados desta realidade." "
DN Portugal
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1235150
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Actualmente os jovens estão de facto afastados da política e não deveria ser assim, pois muitos de nós já votam este ano. Apesar de os partidos dizerem que se tentam aproximar dos jovens, penso que poderiam fazer muito mais por isso. Por exemplo, o período em que há o tempo-de-antena transmitido na TV, aquilo é uma seca! O que menos apetece a um adolescente é ficar cerca de meia hora a ouvir aquilo, ainda que seja importante. Penso que os partidos poderiam ser mais inovadores nesse sentido de cativar o publico mais jovem e apostar na modernização da política.
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